quinta-feira, 12 de setembro de 2019

2029 - o ano da viragem

Nesta conversa, Neil deGrasse Tyson e Ray Kurzweil, um dos gurus da Inteligência Artificial (IBM, MIT, Google), falam sobre o momento da Singularidade e de como 2029 poderá ser o ano em que tudo mudará para sempre. Afinal, será a Singularidade uma inevitabilidade?



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Singularidade ou o elogio da ignorância


Ainda que distemos algumas décadas até ao momento da singularidade, a inovação tecnológica e o acesso imediato à informação poderão estar já a provocar alterações na nossa forma de pensar. Sabemos que o raciocínio deve ser exercitado diariamente. Que o pensamento crítico se constrói. Que a sabedoria e o conhecimento não são coisas que se gravam numa pen. 

Hoje em dia, pouca gente lê. A queda na venda de livros demonstra isso mesmo e não parece que esta tenha sido substituída pelas leituras de livros online. O tempo dedicado anteriormente à leitura é hoje preenchido com horas a fazer scroll-down nas redes sociais. Contra mim falo. Esta estratégia de máquina de casino funciona comigo perfeitamente, de forma inconsciente, deslizando o dedo para baixo à espera que haja alguma informação do género jackpot. O que é raro, e os likes acabam distribuídos em memes e links para artigos fora da caixa. Hoje em dia, pouca gente lê, e julgo que nos jovens esta será uma fatura com um custo incalculável. Saberão os jovens hoje em dia quem foi Agamémnon ou Ifigénia? Que terrível segredo guardava Dorian Grey? Ou a história infame da família Buendía? Que catarse teremos hoje para oferecer às novas gerações, para que se tornem seres humanos melhores?  Terá sido tudo isto substituído por vídeos no Youtube e posts de influencers no Instagram? Espero que não.

Por outro lado, o acesso imediato à informação torna-nos progressivamente incapazes de debater ou refletir de forma crítica sobre determinado tema. Quando surge uma dúvida sobre alguma coisa num grupo, basta vê-los (e ver-me) a alcançar o telemóvel com a mão e rapidamente digitar a palavra em questão. Fica o assunto arrumado, não vale a pena estar a discutir sobre quem teria ou não razão. A reflexão crítica é um tema ainda mais sensível, principalmente se atentarmos à forma como partilhamos e disseminamos informação falsa disponível online. Será que basta que algo esteja escrito na internet, com uma linguagem e design minimamente cuidados, para que todos acreditemos que seja verdade? Aqui, a manipulação da opinião pública é uma autêntica caixa de Pandora, tudo é possível. 

Esta incapacidade de pensar e refletir progressiva tornar-se-á imesuravelmente mais perigosa, quando o momento da Singularidade chegar. Na possibilidade de não termos de procurar a informação porque a temos já incorporada no nosso cérebro. E na possibilidade dessa mesma informação ter sido manipulada logo à partida. Será que no final de contas, voltaremos todos para dentro da caverna, acreditando que tudo o que vemos projetado é a realidade?



Singularity e a conquista da imortalidade



Para uma perspetiva mais positiva sobre a Singularidade, pensemos nesta evolução tecnológica exponencial ao serviço do ser humano. Seja na evolução e inovação biológica para aumentar a esperança média de vida ou no apoio ao pensamento humano.


De facto, talvez a Singularidade não seja mais do que incorporar no nosso cérebro a tecnologia que nos permita aceder a informação e conhecimento de forma imediata. Dito assim, já não parece tão assustador. Na verdade, o que distamos desta inovação é a distância de um braço. Hoje em dia, já acedemos através do telemóvel a praticamente toda a informação de que necessitamos: que tempo vai estar amanhã em todo o mundo? como se diz "casa" em todas as línguas existentes? quem escreveu o quê, onde e quando? No futuro da Singularidade, estes processadores já vão estar integrados no nosso cérebro, e não será necessário digitarmos as nossas questões. Bastará ouvir ou pensar a pergunta e automaticamente a resposta aparecerá na nossa cabeça. Sounds weird? Well, it is.

Mas mais estranho que isso, será a "hipotética hipótese" de irmos "gravando" a nossa forma de pensar num computador, o nosso raciocínio, as nossas escolhas, e esse mesmo computador ficar automaticamente a pensar como nós. De acordo com todo o histórico de decisões e pensamentos, o computador poder continuar a pensar como nós, mesmo após a nossa morte física. Uma espécie de download da nossa alma para uma pen (segundo o conhecimento que temos hoje, será a melhor analogia a fazer). Ou seja, a conquista de uma certa imortalidade.


A vertente de inovação tecnológica relacionada com a biologia humana é algo que já acontece hoje em dia. Já conseguimos hoje em dia substituir partes do nosso corpo ou criar próteses para partes defeituosas ou inexistentes, pacemakers para prolongar a esperança média de vida, entre outras inovações. No momento da Singularidade, esta substituição poderá crescer exponencialmente até ao ponto de conseguirmos sintetizar os nossos próprios genes. Criando assim seres humanos perfeitos e imortais.


Fotografia de Stephan Bodzin e da sua Singularity:









sábado, 7 de setembro de 2019

O momento da Singularidade e o fim da Humanidade

Poderão ainda não ter ouvido a expressão Singularity (em português Singularidade, ou mais concretamente a Singularidade Tecnológica). Este será um momento no futuro próximo, ou não tão próximo, em que a inteligência artificial irá crescer tão exponencialmente que terá um impacto inédito e irreversível para o ser humano.

Este crescimento exponencial poderá gerar máquinas capazes de superar a inteligência humana e substituir o nosso pensamento. Esta teoria baseia-se no facto de que, segundo a lei de Moore, a cada 18 meses, a capacidade de processamento dos computadores duplica e os custos permanecem iguais ou diminuem. A isto se chama o crescimento exponencial. Para termos uma ideia mais prática, aquando da revolução espacial e da ida do Homem à Lua, os computadores da NASA ocupavam edifícios inteiros. Eram os chamados super-computadores. 

Hoje em dia, o telemóvel que utilizamos diariamente tem uma capacidade infinitamente superior a esses computadores. Há vinte anos atrás, nunca imaginaríamos o que hoje em dia temos dado por garantido. Quando era pequena, só depois de atender o telefone (com fio) é que sabia quem estava a ligar. Lembro-me de que era impensável, quando surgiram os CD's, pensar em poder gravar um em casa. Ou ainda, fazer uma vídeo-chamada para o outro lado do mundo numa questão de segundos e em tempo real poder ter uma conversa. É por isso difícil conseguirmos imaginar como será o mundo e a Humanidade no momento da Singularidade ou do pós-Singularidade.

Além da programação de pensamento lógico, infinitamente mais rápido do que o pensamento humano, uma das questões que se levanta está relacionada com as emoções, a capacidade de escolha e reflexão. Se virmos exemplos de ficção científica como o HAL 9000 de "2002: Odisseia no Espaço" ou Eva de "Ex Machina", um dos terrores que nos assombra é a possibilidade de que estas super máquinas se possam virar contra nós. E este poderá ser o fim da Humanidade...